Durante o mês de agosto, crianças e adolescentes de Cotia tiveram vez e voz para dizer o que pensam sobre os serviços oferecidos na cidade e, principalmente, falar sobre aquilo que consideram importante para uma infância e uma adolescência com direitos garantidos.
Meninos e meninas de diferentes idades e regiões participaram das pré-conferências dos Direitos da Criança e do Adolescente, etapa preparatória para a Conferência Municipal, que será realizada em outubro.
Ao todo, foram realizados seis encontros em diferentes regiões de Cotia, passando por locais como Caputera, Caucaia do Alto, Granja Viana e região central. As atividades foram conduzidas pela presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA), Fabiana Porfirio, e por integrantes do Conselho.
Mais do que apresentar informações, os encontros foram pensados para criar um espaço de escuta. Crianças e adolescentes falaram e os adultos ouviram.

Uma rede construída pelas próprias crianças
Para aproximar temas como direitos e rede de proteção do universo infantil, as atividades deixaram de lado a linguagem excessivamente técnica e apostaram em recursos lúdicos.
Em uma das dinâmicas, um novelo de lã passou de mão em mão enquanto as crianças eram convidadas a falar sobre o que gostavam em ser criança. Aos poucos, os fios se cruzaram e formaram uma grande rede entre os participantes.
A brincadeira ajudou a introduzir uma pergunta importante: afinal, o que uma criança precisa para estar protegida?

As respostas vieram rapidamente: segurança, saúde, alimentação, escola e espaço para brincar estavam entre os direitos apontados pelos próprios participantes.
Também houve espaço para conhecer melhor o Estatuto da Criança e do Adolescente e o papel dos órgãos que atuam na garantia de direitos. Depois de assistirem a um vídeo sobre o tema, as crianças foram questionadas se sabiam o significado da sigla ECA.
A resposta veio em coro, em alto e bom som: “Estatuto da Criança e do Adolescente!”
Escola, saúde e até o direito de brincar
Se as atividades tiveram leveza, as questões levantadas por crianças e adolescentes mostraram que eles observam com atenção a realidade ao redor.
Segundo a presidente do CMDCA, Fabiana Porfirio, o ambiente escolar esteve entre os principais assuntos apresentados durante as pré-conferências. Questões relacionadas à infraestrutura dos espaços escolares apareceram nas manifestações dos participantes, especialmente na região da Caputera. A saúde também esteve entre as preocupações apresentadas.
Entre os menores, apareceu com força uma reivindicação aparentemente simples, mas diretamente relacionada a um direito fundamental da infância: ter espaços para brincar.

Para os membros do Conselho, abrir espaço para que crianças e adolescentes pudessem apresentar suas próprias percepções foi um dos pontos mais importantes das pré-conferências. E assim será na Conferência, prevista para ocorrer em Outubro.
“Ter proporcionado o espaço de escuta foi o diferencial para eles, que passaram a ser protagonistas da pauta”, afirmou.
A utilização de uma linguagem mais lúdica e menos técnica também contribuiu para que crianças e adolescentes compreendessem os assuntos discutidos e participassem efetivamente das atividades. Em uma das delas, meninos e meninas foram convidados a se expressarem por meio de desenhos.
A expectativa do CMDCA é ampliar a participação dos atores que compõem a rede de proteção e, principalmente, fortalecer espaços permanentes de escuta para crianças e adolescentes no município.









