Inclusão na prática: auxiliares de classe participam de capacitação para atuação com alunos com deficiência

Formação reúne quase 550 profissionais e aborda estratégias práticas para promover autonomia, participação e aprendizagem nas salas de aula
Foto: Roberto Pires

Quase 550 auxiliares de classe da rede municipal de Cotia participaram, no último dia 29, de  capacitação voltada ao atendimento de crianças com deficiência no contexto da educação inclusiva. Divididos em turmas nos períodos da manhã e da tarde, os profissionais deram início a uma trilha formativa que prevê cinco encontros ao longo do ano, com foco em qualificar o suporte oferecido dentro das salas de aula e fortalecer a inclusão escolar.

Mais do que uma formação técnica, o encontro foi um convite à reflexão sobre o papel dos auxiliares no cotidiano escolar. Responsáveis por apoiar o professor e acompanhar de perto o desenvolvimento dos alunos, esses profissionais exercem uma função estratégica na construção de uma educação verdadeiramente inclusiva.

A capacitação foi conduzida pela professora e pesquisadora Luciana Angelis (Roberto Pires)

A capacitação foi conduzida pela professora e pesquisadora Luciana Angelis, doutora em Ciências do Desenvolvimento Humano e em Distúrbios do Desenvolvimento pela Universidade Makenzie.  Durante a formação, ela destacou a importância de preparar os auxiliares para atuar com consciência e sensibilidade diante das diferentes necessidades dos estudantes.

“A inclusão não acontece sem o auxiliar. Muitas vezes, é esse profissional que viabiliza a participação da criança nas atividades. Mas é preciso compreender o papel dele, para apoiar sem substituir, estimulando a autonomia”, explicou.

Entre os temas abordados estiveram o desenvolvimento das funções executivas, a importância da linguagem clara no processo de aprendizagem e estratégias para lidar com comportamentos desafiadores. Segundo a especialista, entender como essas habilidades se desenvolvem ajuda a construir um olhar mais empático sobre as crianças.

“Quando a gente entende por que determinados comportamentos acontecem, deixa de julgar e passa a apoiar. A ideia é ensinar caminhos mais positivos, como pedir ajuda, se autorregular e participar das atividades”, completou.

A secretária de Educação, Ana Paula Santos, reforçou que a formação faz parte de uma política contínua de qualificação dos profissionais da rede.

“O investimento na formação dos auxiliares reforça o compromisso da gestão com a garantia do direito de acesso, permanência e aprendizagem de qualidade para todos os estudantes”, afirmou.

Na prática, quem está na sala de aula sente o impacto imediato desse tipo de iniciativa. Para a auxiliar de classe Cristina de Oliveira Brás, a capacitação ampliou o repertório para lidar com situações do cotidiano.

“A gente aprende a lidar com situações que fogem do nosso conhecimento. Muitas vezes, a gente não sabe como agir, e o curso trouxe respostas até para dúvidas que a gente nem sabia que tinha”, contou.

Ela também destacou que o aprendizado vai além do ambiente escolar. “Isso ajuda na nossa vida. Eu tenho um filho em processo de diagnóstico e, às vezes, não sei como lidar. Então, esse conhecimento faz diferença dentro e fora da escola.”

A auxiliar Maria Aparecida Nascimento dos Santos compartilha da mesma percepção. Há menos de um ano na rede municipal, ela afirma que a formação trouxe um novo olhar sobre o trabalho.

“Eu consegui me enxergar dentro do curso. Passei a entender melhor o comportamento das crianças e também a minha forma de agir. Isso muda tudo”, disse.

Além da experiência profissional, a formação também dialoga com a vivência pessoal de muitos participantes. “Tenho uma filha com deficiência física e outra com TDAH. O que aprendi aqui me ajudou a compreender melhor situações do dia a dia”, completou.

De acordo com a Secretaria de Educação, a formação seguirá ao longo do ano com novos encontros, aprofundando temas como comportamento, regulação emocional e estratégias de inclusão. A proposta é oferecer suporte contínuo aos auxiliares, reconhecendo o papel essencial que desempenham dentro das escolas.

“Em um cenário em que a maioria das salas de aula já conta com alunos que demandam atenção especializada, investir na formação desses profissionais deixa de ser um diferencial e passa a ser uma necessidade”.

 

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